Exposição de colheres de bambu + workshop

Tenho feito exposições das colheres de bambu que faço desde 1995. Em paralelo, tenho ministrado um workshop sobre como fazer colheres e espátulas, quando converso sobre essa experiência de produzir objetos que me agradem com ajuda de ferramentas muito simples e sem qualquer sentido comercial. Reforço a satisfação que se tem quando finalizamos algo a que nos dedicamos. Reconheço o valor terapêutico dos elogios. Nessas ocasiões comento as dimensões básicas das peças e suas variações ilimitadas, comento as características estruturais do bambu, mostro as ferramentas que utilizo e o que se pode extrair de cada uma delas. e conto um pouco das histórias vividas. Procuro valorizar o trabalho manual e mostrar os principais processos e procedimentos que adoto quando estou fazendo uma colher.

“Tenho visto com frequência o interesse e o entusiasmo dos participantes, sobretudo quando estão com ‘as mãos na massa’. Os que já dispõe de experiência no trabalho manual conseguem resultados elogiáveis com frequência. Outros, que ainda não exercitaram o poder das próprias mãos, acabam por vencer receios e inabilidades e enfrentar o desafios, terminando por conseguir fazer uma peça simples, porém relativamente apresentável. Muitos ficam verdadeiramente orgulhosos com os resultados conseguidos, dando a impressão de que continuarão a cortar, raspar, lixar um pedaço de bambu. Para muita gente, deve ser muito inspirador me ver fazendo uma colher ao tempo que vou contando história. Imagino que desmitifica e demostra que é perfeitamente possível fazer algo parecido, desde que pratiquem e exercitem o uso das próprias mãos. Dá gosto de ver o final da festa.”

 

 

 

Local: Ateliê

Investimento: R$ 100,00

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Álvaro Abreu

Esculpir tornou-se o sentido da vida Álvaro Abreu. A cada dia esculpir uma colher. É o que faz o Alvaro há muitos anos. Não por viver disto. De profissão, ele é engenheiro de produção, professor universitário e empresário e fazer colheres certamente não seria necessário. Ele as faz, no entanto, para viver - em um sentido muito diferente. Tornou-se o seu pão de cada dia, de certo modo, o sentido da sua vida. Fazer colheres de bambu tornou-se a sua vocação. Alvaro Abreu começou seu exercício espiritual há quase vinte anos, fazendo disso um ritual. Ou melhor, o uso do bambu,  da faca e da lixa tornou-se para ele um hábito essencial. Ele já fez milhares de colheres. Ao observá-lo trabalhando testemunha-se uma atividade muito concentrada, na qual cada manuseio parece completamente natural e resulta por si próprio em uma sequência de processos individuais. Esculpir colher para Abreu também parece ser um trabalho gratificante. Faz-nos lembrar de artesãos japoneses e da sua humildade perante o material, da calma e paciência para lidar com ele. Abreu sempre esculpe a colher a partir de um único pedaço de bambu. Ele os deixa sem pintura, em seu estado natural. O seu brilho suave é obtido somente através de lixamento e polimento. Os grãos  visíveis da madeira e os nós do bambu tornam-se, assim, elementos de design. Exatamente através da sua prática lúdica e despretenciosa, Abreu inventa novas formas, como se o material sussurrasse, a partir de sua natureza, um design ideal. Trata-se, realmente, para ele, de uma busca incessante de formas: o que pode ser uma colher, que desenhos a matéria extremamente versátil do bambu permite? Até onde se pode variar o simples tema colher?