Álvaro Abreu

Álvaro Abreu

Esculpir tornou-se o sentido da vida Álvaro Abreu. A cada dia esculpir uma colher. É o que faz o Alvaro há muitos anos. Não por viver disto. De profissão, ele é engenheiro de produção, professor universitário e empresário e fazer colheres certamente
não seria necessário. Ele as faz, no entanto, para viver – em um sentido muito diferente. Tornou-se o seu pão de cada dia, de certo modo, o sentido da sua vida. Fazer colheres de bambu tornou-se a sua vocação. Alvaro Abreu começou seu exercício espiritual há quase vinte anos, fazendo disso um ritual. Ou melhor, o uso do bambu,  da faca e da lixa tornou-se para ele um hábito essencial. Ele já fez milhares de colheres. Ao observá-lo trabalhando testemunha-se uma atividade muito concentrada, na qual cada manuseio parece completamente natural e resulta por si próprio em uma sequência de processos individuais. Esculpir colher para Abreu também parece ser um trabalho gratificante. Faz-nos lembrar de artesãos japoneses e da sua humildade perante o material, da calma e paciência para lidar com ele. Abreu sempre esculpe a colher a partir de um único pedaço de bambu. Ele os
deixa sem pintura, em seu estado natural. O seu brilho suave é obtido somente através de lixamento e polimento. Os grãos  visíveis da madeira e os nós do bambu tornam-se, assim, elementos de design. Exatamente através da sua prática lúdica e despretenciosa, Abreu inventa novas formas, como se o material sussurrasse, a partir de sua natureza, um design ideal. Trata-se, realmente, para ele, de uma busca incessante de formas: o que pode ser uma colher, que desenhos a matéria extremamente versátil do bambu permite? Até onde se pode variar o simples tema colher?


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